sexta-feira, setembro 29, 2006

ARROZ DOCE DA MINHA MÃE


Este é talvez o doce mais popular em Portugal e existem muitas maneiras de o confeccionar.
Já o comi apenas cozido em água e açúcar e garanto que é muito bom. Como dizia o meu avô: "É doce".
Costumo usar arroz carolino que é o que me dá o melhor resultado final. Na falta deste arroz, já me aconteceu, fazer com agulha e, foi para esquecer.


Ferva um litro e meio de leite com um pau de canela e casca de um limão. Noutro recipiente com água fervente e sal, mergulhe duzentos e cinquenta gramas de arroz. Quando retomar a fervura conte três ou quatro minutos, escorra o arroz e junte-o ao leite a ferver. Deixe cozer destapado e quando estiver macio, retire do lume e junte açúcar a gosto (normalmente ponho, de duzentos, a duzentos e cinquenta gramas), misture mexendo bem, seis gemas de ovos e um pouco de manteiga (mais ou menos duas colheres de sopa). Leve ao lume novamente, mexendo bem durante alguns minutos sem deixar ferver.
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É muito simples de fazer. No final apenas tem de ter em atenção a quantidade de liquido existente. Se começar a ficar seco mistura mais leite, não esqueça que depois de arrefecer, o arroz vai secar, por isso tem de o deixar um pouco liquido para que ao secar o arroz fique macio e cremoso.

sábado, setembro 23, 2006

LULAS CHEIAS



Existem variadas formas de as confeccionar. Até mesmo aqui, no Algarve. Os "serrenhos" fazem-nas de um modo diferente do pessoal da beira-mar. E mesmo estes, não têm todos o mesmo modo de as rechear! As do Barlavento não são como as do Sotavento, e até o próprio nome difere. Se nalgumas zonas lhes chamam lulas recheadas, noutras (como a minha) são lulas cheias. Mas numa coisa não há diferenças, seja na serra, na praia, no barlavento ou onde quer que as façam, o que não há dúvida é que este é um pitéu de se lhe tirar o chapéu.
Se tiver possibilidades de comprar lulas frescas, tanto melhor, mas, se fizer com as congeladas também é bom.
Lulas de tamanho médio são as ideais para este prato.



Amanhe as lulas com muito cuidado para não rebentar o saco da tinta (ferrado). Se forem congeladas deitam pouca ou nenhuma tinta. Retire a pele rosada que envolve o corpo da lula e separe as aletas. Retire as vísceras, assim como os olhos e a boca. Volte o saco das lulas do avesso, com cuidadinho para que não rasguem. Se isso acontecer, pode sempre reparar o saco cosendo-o com uma agulha e linha, ou fechando o rasgão com um palito.
Pique com uma faca (a minha mãe fá-lo com uma tesoura), os tentáculos e as aletas.



Pique, cebola, alho, chouriço e presunto ou toucinho fumado (bacon). Deixe refogar em azeite. Pique pimento e junte também, assim como o picado das lulas. Deixe mais um pouco e misture tomate picado, azeitonas descaroçadas e também picadas. Sal, pimenta, piripiri e arroz (não utilize muito arroz, apenas uma quantidade que se torne quase imperceptível na boca). Mexa o arroz para envolver bem no preparado, retire do lume e encha o saco das lulas. Se os sacos estiverem voltados (a parte que estava no interior da lula está agora para o exterior), não necessita fechar com palitos.

Não encha demasiado. Além das lulas encolherem, também o arroz vai dilatar. Uma maneira de dividir o preparado pelas lulas todas é o seguinte: Se tem por exemplo, 12 lulas, divida o recheio em 4 partes e encha com cada uma dessas partes 3 lulas. Assim, torna-se mais fácil ir controlando as quantidades, e no final não sobra nem falta recheio.

Refogue mais cebola picada, alho, um pedaço de pimento, tomate, louro, sal, pimenta, um raminho de salsa e um pouco de vinho branco. Mergulhe as lulas, com cuidado para que o recheio não saia, uma vez que o saco foi voltado, vai contrair e fechar em contacto com o líquido quente, evitando assim a saída do recheio. Este só sairá se for demasiado para o tamanho da lula, evitando que esta rebente, o que aconteceria se esta estivesse totalmente fechada.

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Deixe cozer mais ou menos 45 minutos. (Se forem congeladas demoram menos tempo). Se secarem muito, vá acrescentando o molho com água quente. Apenas no final se deixa apurar o molho, com muito cuidado para não deixar queimar. Pode acompanhar com batatas fritas, ou cozidas, ou puré de batata. Pode aproveitar parte do molho com bocadinhos do recheio, que durante a cozedura se soltaram das lulas, e fazer um óptimo arroz. Para acompanhamento das mesmas, ou até para uma posterior refeição. A vida está difícil e há que aproveitar o máximo possível.

sábado, setembro 16, 2006

AMÊIJOAS NA CATAPLANA




Não há dúvida! Este é um dos mais emblemáticos pratos da culinária Algarvia.
A cataplana é uma espécie de tacho, formado por dois recipientes côncavos, sobrepostos e ligados por uma espécie de dobradiça, em que um serve para a confecção dos alimentos e o outro serve como tampa. São normalmente de cobre e é preciso um enorme cuidado para que não perca a película de estanho que reveste o seu interior e que evita que os ingredientes se peguem. Na prática é impossível (pelo menos para mim) lavar bem estes artefactos sem que os alimentos se "agarrem" quando as utilizamos posteriormente.
Pessoalmente (assim como os cozinheiros que conheço e com quem troco impressões), preparo a confecção numa frigideira e só depois de quase terminada, a deixo deslizar suavemente para dentro da cataplana.

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Presunto (ou bacon) cortado em pequenos cubos, também chouriço se gostar, cebola em meia-lua fininha, alho picado e azeite. Refoga até alourar, junta tomate e pimento cortados em cubos, sal, pimenta, um raminho de salsa e uma folha de louro, refresca com um pouco de vinho branco (seco de preferência), junta um ramito de coentros e as amêijoas, flameja com um cálice de brandy (muito cuidado com esta operação, nunca deite directamente da garrafa), tapa a cataplana e quando as amêijoas abrirem não deve estar mais tempo ao lume.

Normalmente, e para tornar o prato mais substancial, antes de juntar as amêijoas, meto também alguns rojões e acompanho com batatas fritas em cubos.

Muito cuidado com o sal porque além do presunto que normalmente contém algum, também as amêijoas ao abrir, libertam água salgada.

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E pronto! É muito simples!

Apenas um conselho: Cuidado com as amêijoas que vai utilizar. As melhores são as do Algarve! De Alvor ou de Olhão. As outras...experimente abrir duas ou três antes de as juntar ao petisco. Se tiverem areia estragam-lhe a "caldeirada".

E se não tem uma cataplana não se preocupe. Este é um dos pratos onde se prova que "os olhos também comem", porque na realidade é só "P'ra Inglês ver". Faça num tachito com tampa e vai ver que é a mesma coisa.

sábado, setembro 09, 2006

SAPATEIRA




Depois de alguns anos de experiencia, sou ainda por vezes, surpreendido com especimes vazios e desenxabidos.
Alguns "entendidos" dizem que se os voltarmos com as pernas para cima e estes as fecharem, estão cheios, outros, afiançam que levantando o abdomen das fêmeas e as "maminhas" se mostrem salientes estão igualmente cheias, outros ainda, que a ponta das pernas têm que estar rijas, se ao fazer pressão com a unha, sentir que está macio, então o bicharoco está vazio.

Na verdade, o que menos nos engana é o peso. Se estiverem pesadas há grandes probabilidades de estarem cheias. E se só compram fêmeas, pensando que só estas estão sempre boas, estão redondamente enganadas porque, muitas vezes são os machos que estão melhores. Pode distinguir os sexos pela simples observação da parte inferior. Na figura a fêmea é a da esquerda. Distingue-se a fêmea pelo tamanho do abdomen que é largo, enquanto que no macho é estreito.
Com santolas (de carne com sabor incomparávelmente superior) a escolha é muito mais complicada.Muitas vezes estão pesadas e depois de cozidas e abertas, chegamos à conclusão que estavam era cheias de água.



Primeiro, há que matar o bicharoco. Isto consegue-se despejando vinagre na boca, o que vai causar a morte da sapateira mais em cerca de meia-hora. Lave-as muito bem com uma escova, afim de retirar toda a sujidade que se acumula na parte inferior, após o que se mergulham em água fervente com bastante sal grosso, mais ou menos 60gr por litro(uma colher de sopa, rasa de sal tem cerca de 15gr). Se estiver ainda viva, ao sentir a água quente a sapateira tem tendência a soltar as pernas e a perder grande parte do seu interior, atraves desses orificios. Em cerca de 15 minutos depois de retomar a fervura, uma sapateira de tamanho médio, está cozida. Com uma escumadeira, retire a espuma que se forma à superfície e tire a sapateira da água, para que não fique demasiado salgada.



Agora, com as mãos, separe a carapaça e retire os pulmões, que são uns apêndices moles que se assemelham a plumas e se situam em redor do corpo. Quando abrir um destes crustáceos, irá reconhecê-los fácilmente.







Apare as carapaças esvazie-as, e com uma faca, corte o corpo ao meio no sentido do comprimento, depois faça mais dois ou três cortes transversalmente para dividir as pernas.








Pique com uma faca o que se encontrava no interior da sapateira, junte ovo cozido picado, um pouco de miolo de pão, maionese(não exagere), prove e rectifique sal, um pouco de pimenta e, se gostar do sabor não acrescente mais nenhum ingrediente.








Misture tudo muito bem e encha as carapaças com o preparado, decore com clara e gema de ovo cozido picados.
Pode pressionar a clara e a gema com o dedo, através de um passador de rede, como costumo fazer e está na imagem seguinte.




Enfeite com pikles picados, faça umas torradinhas e, delicie-se com esta requintada e relativamente económica, refeição de marisco.

E não esqueça: Só em último caso, e se tiver confiança no vendedor, as deve comprar já cozidas. Nunca se sabe o estado em que estavam quando foram cozinhadas. Deve sempre comprar estes espécimes bem vivinhos. Depois de mortos a deterioração é muito rápida e com riscos para a saúde.

sábado, setembro 02, 2006

CAVALAS À MINHA MODA

EM AZEITE


ESCALADAS

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Na realidade, nem são à minha moda. São à maneira do meu fornecedor de queijos ( e não só! também me forneceu a receita ) . Um dia em que me viu a amanhar cavalas para alimar, disse que gostava muito delas da seguinte maneira:

Escala as cavalas (no caso de serem grandes), retira as vísceras e salga-as durante um dia. Lava-as e coze-as durante cerca de cinco minutos. Mergulha-as em água fria e com os dedos vai retirando a pele e as espinhas, deixa-as dessalar dentro de água. Vai provando, quando estiverem ao teu gosto parte-as em pedaços (se forem grandes) e acama-as num recipiente que possa ir ao frigorífico,da seguinte forma: uma camada de filetes, alhos laminados e coentros, outra de filetes, novamente alhos e coentros, e assim sucessivamente até acabar o peixe. Com a mão, pressiona um pouco e submerge-as em azeite, tapa e põe no frigorífico para ires petiscando quando te apetecer forrar o estômago. Provavelmente o azeite vai coagular (depende do frigorífico). Então retira a quantidade que pretendes e deixa à temperatura ambiente ou aquece por uns segundinhos no microondas.

No caso de estar coagulado, o espaço que estava ocupado pelo peixe que retiraste, tem de ser preenchido novamente com azeite, para que o ar não esteja em contacto com o peixe que fica no recipiente.

Estas cavalas são baratíssimas e saborosíssimas. Faça e prove. Ao fim de duas ou três semanas então, estão deliciosas, feche os olhos, mastigue lentamente e vai sentir um autêntico bailado de riquissimos sabores dentro da sua boca.

Enquanto o azeite durar, o peixe estará comestível. Um ano, dois, não faço ideia. Mas use sempre azeite de boa qualidade.

ATENÇÃO
OS ALIMENTOS, NUNCA DEVEM PERMANECER NO INTERIOR DE RECIPIENTES DE ALUMÍNIO. É PREJUDICIAL À SAÚDE.

domingo, agosto 27, 2006

ENTRADINHA DE QUEIJO

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Este petisquinho tem tanto de simples como de saboroso.Basta cortar um queijinho seco em pequenas fatias, arrumar numa folha de papel de alumínio, borrifar com um pouquinho de azeite, espalhar oregãos por cima e levar ao forno durante um ou dois minutos.



Ou então faça pequenas tostas e sobre elas disponha as fatias de queijo, o azeite e os oregãos. Leve ao forno e já está!

quarta-feira, agosto 02, 2006

BATATAS SALTEADAS




Era assim que o meu saudoso amigo Peter, companheiro de muitas pescarias, Alemão de nascimento e Português por adopção, fazia para guarnecer a maior parte dos pratos que servia no seu restaurante. Cozia as batatas com a casca - porque será que depois de cozidas a casca se transforma em pele??? - Metia ao lume uma enorme e pesada sertã de ferro, regava-lhe o fundo com um fio de azeite, pelava as batatas e cortava-as em rodelas para dentro da gigantesca frigideira, "salpimentava"(como dizem "nuestros hermanos"), e ía volteando as batatas agarrado ao cabo da frigideira (com as duas mãos,visto ser tarefa impossivel com uma só, dadas as dimensões e o peso desta), até que as batatas se apresentassem lourinhas. Polvilhava com pão ralado, dava mais umas voltitas para alourar também o pão, espalhava salsa picada por cima, e aconchegava-as nas travessas ás saborosas e descomunais febras ou costeletas de porco panadas, que os clientes (maioritáriamente Germânicos) devoravam e afogavam com grandes e espumosas canecas de loira e borbulhante cerveja, que consumiam como se tivessem chegado a um oásis, depois de terminada uma longa e seca travessia do deserto.

Faça isto em frigideiras anti-aderentes, numa frigideira normal as batatas pegam-se ao fundo e têm tendencia para se desfazerem. As frigideiras do Peter não "pegavam" porque só serviam para este serviço e nunca eram lavadas com esfregões nem produtos abrasivos.Na verdade, nunca o vi lavá-las com água e detergente. Queimava-as na chama do fogão, deitava uma pinga de óleo, bastante sal, e esfregava enérgicamente com papel higiénico, (dizia que eram mais baratos que os rolos de cozinha). Ficavam polidas e brilhantes, após o que, as pendurava por cima do fogão, ficando ali mesmo à mão de semear para nova utilização.

CARAPAUS ALIMADOS





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É uma comida que associamos automáticamente ao Algarve e aos quentes e preguiçosos dias de verão.

Faça este prato com carapaus pequenos ou médios. E já sabe! carapaus com pele baça, olhos igualmente baços e sumidos, com aspecto de terem passado mal a noite, não os compre porque não são frescos.
Retire-lhes a cabeça e as visceras. Esta é uma operação muito simples de executar. Com uma faca, faça um corte na zona onde começa a cabeça do peixe, puxe até que se soltem as tripas, pode ver as fotos da sequencia desta operação na receita de cavalinhas alimadas, de 07 de maio de 2006. Lave os carapaus e como dizia um amigo, meta-os dentro de um recipiente com aberturas para escoar a água que se vai libertando e salgue-os fortemente. No dia seguinte passe-os por água afim de remover totalmente o sal, coza-os em bastante água durante alguns minutos ( 4 ou 5 ), tal como nas cavalas, quando o rabo se soltar fácilmente o peixe está no ponto. Normalmente quando um peixe está cozido, torna-se "leve" na água, parece querer flutuar com as bolhas provocadas pela ebulição. Agora alime-os, dentro de água fria, com os dedos esfregue e retire a pele e a "serrilha" do lombo, deixe-os de molho e, vá mudando a água até que percam o sabor salgado e fiquem do seu agrado(mudar a água duas ou três vezes durante cerca de meia-hora é suficiente, mas não esqueça: vá provando para que não fiquem insossos).
Disponha-os numa travessa com batatas cozidas em redor, cebola e tomate em rodelas por cima, azeite, vinagre e oregãos. Ou se preferir, como eu servi e está nas fotos.

sábado, julho 22, 2006

BACALHAU PIL-PIL





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Este modo de confeccionar um prato de bacalhau vai para aqueles que pensam ser este peixe um exclusivo da culinária Portuguesa.Foi para mim uma descoberta recente. Num restaurante Espanhol vi marcado na lista, "BACALAO AL PIL-PIL" , após muitos anos nestas andanças culinárias, era novidade para mim. Pedi esclarecimento ao empregado de mesa, pareceu-me que seria agradável ao meu paladar e foi isso mesmo que pedi para a minha refeição. Só lhes digo que fiquei surpreendido e admirado por nunca ter lido nada a esse respeito, e podem crer que já vi muitas receitas do fiel amigo. Mas enfim...esta escapou-me durante muito tempo. O meu amigo Paco, cozinheiro, Basco convicto(se lhe perguntarem se é Espanhol nega sempre, e fica até ofendido), teve que me demonstrar na prática como se desenrolava a confecção desta iguaria. Já o fiz posteriormente por várias vezes e sempre com óptimos resultados. É básicamente um bacalhau confitado em azeite. Depois de dessalado o bacalhau (não muito fino, preferencialmente), é escamado com muito cuidado para que a pele não se desfaça, são retiradas as espinhas possiveis com uma pinça própria, se não a possuir não as retire, é preferivel. Numa caçarola, ponha azeite que lhe pareça suficiente para quase cobrir as postas, frite alho em lâminas e quando começarem a amarelar, retire-as e retire também a caçarola do lume para que o azeite amorne. Enxugue o bacalhau com um pano e disponha-o com a pele para baixo no azeite (há quem defenda que é melhor pôr com a pele para cima, mas assim me ensinaram e assim tenho feito com bons resultados). Vá movendo a caçarola num movimento de vai-vem circular e, nunca deixe ferver o azeite, quando começar a fazer bolhinhas retire do lume e mantenha o movimento ,reponha no lume e retire as vezes que forem necessárias para evitar que ferva. Ao fim de 25 ou 30 minutos já deve ter uma maionese obtida através da emulsão do azeite com a gelatina libertada pela pele do bacalhau. Disponha o molho sob as postas de peixe ou regue-as com este e com os alhos que préviamente fritou.

O recipiente tem que ter tamanho suficiente que permita haver algum espaço entre as postas, para que estas se possam movimentar "batendo" deste modo a maionese. Se por acaso ao fim do tempo ainda não obteve a consistencia desejada, retire o bacalhau e com uma vara de arames dê uma batidela muito ligeira que rápidamente emulsionará o molho.Se não tem muita prática, aconselho o uso de uma caçarola que por ter os bordos mais altos impedirá que o molho salte para cima do fogão.

sábado, julho 15, 2006

SOBRAS DE CARNE


É um prato que usualmente faço para aproveitamento de sobras de carne - na verdade, gosto tanto disto que por vezes utilizo mais carne do que a necessária, para que me sobre e possa depois fazer assim: "à Brás"- .
Procedo como para o bacalhau com o mesmo nome: cebola em meia lua e alho picado refogados em azeite, junto a carne desfiada, borrifo levemente com Porto ou Madeira, junto batata palha e ovos mal batidos. Vou remexendo muito bem para que não pegue. Quando os ovos estiverem passados (bem passados porque hoje em dia não se pode brincar) salsa picada, azeitonas e, p'rá mesa!

Quando a comida queimar e ficar pegada no fundo do tacho, Ponha água no tacho, muito pouca, apenas a tapar essa zona. Ponha ao lume e, quando estiver bem quente vá raspando com a colher, normalmente meto lá dentro um esfregão de arame e com um alicate ou tenaz vou esfregando para descolar os restos de comida.

Faça isso e vai ver que o "queimado" se solta fácilmente. Se é mulher, e casada, o seu marido ficar-lhe-á muito agradecido.Eheheheh!








Por vazes faço empadão, com puré de batata ou com arroz. Este é de arroz
Refoguei cebola picada em azeite, juntei a carne desfiada, temperei e deixei refogar um pouco com a cebola.
Num tabuleiro, fiz uma cama com metade do arroz, deitei-lhe a carne, tapei-a com o resto do arroz e, em vez de barrar com gema de ovo, como é usual, fi-lo com maionese. Umas rodelitas de chouriço em cima e forno com ele.

Se preferir batata, só tem que substituir o arroz por puré.

sábado, julho 08, 2006

VAGENS DE FEIJÃO





De manhã ainda cedo, montei o meu cavalo de raça, um puro-sangue alazão que relinchou e escoiceou,trotando alegremente até passar pelo largo portão de madeira forrado com chapas de zinco, incitei o animal que arrancou num desenfreado galope, só interrompido pelos gritos da minha avó: ”CÓTELA SE HÁS-DE FCAR MAL! AH MOÇE MARAFADE, SE CAIS ALEJAS-TE COM A CANA!” CANA?!!!... Então, a minha avó não via que era um cavalo!? Um belo e luzidio corcel, nervoso e veloz como o vento!? Coitada... Estava a ficar velha… Achava eu! E lá íamos nós, eu cavalgando lá na frente, e a “velhota” atrás, a pé, até à horta que distava um par de quilómetros da aldeia. Aí chegados, deixava a minha fiel montada a pastar livremente, no restolho da suave colina junto ao “montinho” (casinhoto onde o meu avô recolhia os utensílios que usava no amanho da terra), Agora passados todos estes anos, recordo que nunca lhe deixava água! Talvez não me deixassem acercar da "nora",em redor da qual circulava de olhos vendados por um pano negro desbotado(um velho xaile da minha avó), a burrinha branca (esta sim, bem real) que chegava sempre com meu avô ainda "lusco-fusco", para trabalhar na rega "pela fresquinha" antes que os raios solares incidissem verticalmente e, à tarde regressava com uma enorme gorpelha carregada de figos sobre a albarda, que eram amassados com farelos e faziam as delicias do porquito que, com este "pitéu", engordava a olhos vistos.
Enquanto sachavam e regavam, as batatas, cebolas, feijão e todas as coisas boas que natureza nos proporciona nesta altura do ano, lambuzava-me com os melosos figos, empoleirado nos folhosos ramos das enormes, retorcidas e rastejantes figueiras, enquanto ía ouvindo: "Não comas os figues quentes! Ficas com soltura!" Nestes dias, o almoço não variava muito, comíamos o que estava ali à mão: feijão verde.O meu avô juntava uma lenhita, ateava o lume e, a minha avó cozinhava.



Deitava um fio de azeite, cebola picada e uns dentinhos de alho, enquanto estalavam, dentro da panelita, descascava cenouras que cortava em rodelas, picava tomates madurinhos e juntava ao refogado que (como dizia Eça) rescendia. Deitava água do poço, que nesse tempo ainda era pura e cristalina, sal, uma folhinha de louro, e depois de ferver, batatas cortadas em rodelas e pequenos bocados de feijão verde que cortava diagonalmente. Às vezes, quando quase cozido, partia-lhe para dentro ovos de galinha e deixava-os escalfar, outras vezes terminava com um ramo de hortelã, e despejava tudo numa malga forrada com fatias de pão de trigo, tudo da horta ,excepto o sal. Depois é que eram elas!...”Come Zéééé! Quando fores prá tua casa a tua mãe diz que passaste mal! Tás magreco!” enches a barriga de "figues" e depois o comer fica no prato!" Mas não era apenas essa a razão do fastio. É que...feijão verde não era coisa que me agradasse.Mas depois, ao sol-posto, escarranchado em cima da albarda, antevia o ovinho estrelado com batatinhas fritas. Eram os miminhos.

Avó! Se me estiver a ver, aí do Céu, quero agradecer-lhe por tudo,pedir que me perdoe as diabruras, dizer que tenho muitas saudades suas e que já gosto de feijão verde, e também daquela salada de tomate, maduro e vermelhinho, temperada com sal e azeite e que me fazia os olhos bonitos.


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domingo, julho 02, 2006

COELHO ORELHUDO




É partido em pedaços, e temperado com: alho cortado em rodelas, sal, pimenta, noz moscada, louro, um raminho de salsa, outro de esteva e, vinho tinto suficiente para cobrir toda a carne.
É conveniente marinar algum tempo para assimilar os sabores do tempero, retira os pedaços de carne e numa caçarola,(depois de escorridos) são alourados em azeite e banha de porco (a banha é opcional).
Quando está lourinho, junta, os alhos da marinada, cebola picada grosseiramente e, cenoura em rodelas grossas.
Depois de refogado, é-lhe adicionado o líquido da marinada e após a fervura durante algum tempo para que se evapore o alcool contido no vinho, é acrescentada água suficiente para cozer o "coelhiço"(é assim que lhe chama a minha ajudante Romena).
Se é coelho de aviário, ao fim de 20 minutos de cozedura, mete bocados de nabo e ervilhas.
Coze mais uns 10 minutos e mistura batatinhas miúdas, fritas e, é servido com crotões de pão frito. Se é coelho do campo(vulgarmente chamado: "caseiro") tem de cozer durante mais tempo.

O raminho de esteva é muito utilizado nesta região para lhe conferir um pouco de sabor a coelho bravo.

quarta-feira, junho 28, 2006

BIFE DE ATUM



É mais um dos pratos caracteristicos da região Algarvia, onde ainda existem ao longo da costa sul, vestigios de muitas construções de apoio às armações, usadas na pesca do atum. Estes, são normalmente peixes de grande porte, podendo ter 2 metros de comprimento e 300 kg de peso.

O bife à moda Algarvia é marinado com algumas horas de antecedência, em sal, pimenta, louro, alho em rodelas, vinagre e vinho branco.
Depois de frito em azeite, retira-se da frigideira e nesse mesmo azeite, refoga-se cebola em rodelas ou meia-lua, os alhos da marinada, e quando alourar ligeiramente, junta-se o líquido da marinada e os bifes préviamente fritos. Deixa-se apurar um pouco e serve-se com batatinhas cozidas.

Como gosto muito de tomate, altero a receita e misturo-o juntamente com tiras de pimento verde, à cebola depois de refogada.

Não deixe fritar demasiado os bifes,porque ficarão muito duros e secos.

sexta-feira, junho 23, 2006

APARAS DE PEPINO

PEPINO SEM SEMENTESSe como eu, não gosta de pepino, experimente cortar muito finamente a todo o comprimento, com um descascador, desses vulgares, que servem para cenouras, batatas, etc. ( aparece um na foto, meio camuflado com as cascas. ), tempere com sal, azeite e vinagre ou sumo de limão. O sabor é diferente, e tem um aspecto muito mais apetitoso.