domingo, agosto 27, 2006

ENTRADINHA DE QUEIJO

Posted by Picasa

Este petisquinho tem tanto de simples como de saboroso.Basta cortar um queijinho seco em pequenas fatias, arrumar numa folha de papel de alumínio, borrifar com um pouquinho de azeite, espalhar oregãos por cima e levar ao forno durante um ou dois minutos.



Ou então faça pequenas tostas e sobre elas disponha as fatias de queijo, o azeite e os oregãos. Leve ao forno e já está!

quarta-feira, agosto 02, 2006

BATATAS SALTEADAS




Era assim que o meu saudoso amigo Peter, companheiro de muitas pescarias, Alemão de nascimento e Português por adopção, fazia para guarnecer a maior parte dos pratos que servia no seu restaurante. Cozia as batatas com a casca - porque será que depois de cozidas a casca se transforma em pele??? - Metia ao lume uma enorme e pesada sertã de ferro, regava-lhe o fundo com um fio de azeite, pelava as batatas e cortava-as em rodelas para dentro da gigantesca frigideira, "salpimentava"(como dizem "nuestros hermanos"), e ía volteando as batatas agarrado ao cabo da frigideira (com as duas mãos,visto ser tarefa impossivel com uma só, dadas as dimensões e o peso desta), até que as batatas se apresentassem lourinhas. Polvilhava com pão ralado, dava mais umas voltitas para alourar também o pão, espalhava salsa picada por cima, e aconchegava-as nas travessas ás saborosas e descomunais febras ou costeletas de porco panadas, que os clientes (maioritáriamente Germânicos) devoravam e afogavam com grandes e espumosas canecas de loira e borbulhante cerveja, que consumiam como se tivessem chegado a um oásis, depois de terminada uma longa e seca travessia do deserto.

Faça isto em frigideiras anti-aderentes, numa frigideira normal as batatas pegam-se ao fundo e têm tendencia para se desfazerem. As frigideiras do Peter não "pegavam" porque só serviam para este serviço e nunca eram lavadas com esfregões nem produtos abrasivos.Na verdade, nunca o vi lavá-las com água e detergente. Queimava-as na chama do fogão, deitava uma pinga de óleo, bastante sal, e esfregava enérgicamente com papel higiénico, (dizia que eram mais baratos que os rolos de cozinha). Ficavam polidas e brilhantes, após o que, as pendurava por cima do fogão, ficando ali mesmo à mão de semear para nova utilização.

CARAPAUS ALIMADOS





Posted by Picasa
É uma comida que associamos automáticamente ao Algarve e aos quentes e preguiçosos dias de verão.

Faça este prato com carapaus pequenos ou médios. E já sabe! carapaus com pele baça, olhos igualmente baços e sumidos, com aspecto de terem passado mal a noite, não os compre porque não são frescos.
Retire-lhes a cabeça e as visceras. Esta é uma operação muito simples de executar. Com uma faca, faça um corte na zona onde começa a cabeça do peixe, puxe até que se soltem as tripas, pode ver as fotos da sequencia desta operação na receita de cavalinhas alimadas, de 07 de maio de 2006. Lave os carapaus e como dizia um amigo, meta-os dentro de um recipiente com aberturas para escoar a água que se vai libertando e salgue-os fortemente. No dia seguinte passe-os por água afim de remover totalmente o sal, coza-os em bastante água durante alguns minutos ( 4 ou 5 ), tal como nas cavalas, quando o rabo se soltar fácilmente o peixe está no ponto. Normalmente quando um peixe está cozido, torna-se "leve" na água, parece querer flutuar com as bolhas provocadas pela ebulição. Agora alime-os, dentro de água fria, com os dedos esfregue e retire a pele e a "serrilha" do lombo, deixe-os de molho e, vá mudando a água até que percam o sabor salgado e fiquem do seu agrado(mudar a água duas ou três vezes durante cerca de meia-hora é suficiente, mas não esqueça: vá provando para que não fiquem insossos).
Disponha-os numa travessa com batatas cozidas em redor, cebola e tomate em rodelas por cima, azeite, vinagre e oregãos. Ou se preferir, como eu servi e está nas fotos.

sábado, julho 22, 2006

BACALHAU PIL-PIL





Posted by Picasa

Este modo de confeccionar um prato de bacalhau vai para aqueles que pensam ser este peixe um exclusivo da culinária Portuguesa.Foi para mim uma descoberta recente. Num restaurante Espanhol vi marcado na lista, "BACALAO AL PIL-PIL" , após muitos anos nestas andanças culinárias, era novidade para mim. Pedi esclarecimento ao empregado de mesa, pareceu-me que seria agradável ao meu paladar e foi isso mesmo que pedi para a minha refeição. Só lhes digo que fiquei surpreendido e admirado por nunca ter lido nada a esse respeito, e podem crer que já vi muitas receitas do fiel amigo. Mas enfim...esta escapou-me durante muito tempo. O meu amigo Paco, cozinheiro, Basco convicto(se lhe perguntarem se é Espanhol nega sempre, e fica até ofendido), teve que me demonstrar na prática como se desenrolava a confecção desta iguaria. Já o fiz posteriormente por várias vezes e sempre com óptimos resultados. É básicamente um bacalhau confitado em azeite. Depois de dessalado o bacalhau (não muito fino, preferencialmente), é escamado com muito cuidado para que a pele não se desfaça, são retiradas as espinhas possiveis com uma pinça própria, se não a possuir não as retire, é preferivel. Numa caçarola, ponha azeite que lhe pareça suficiente para quase cobrir as postas, frite alho em lâminas e quando começarem a amarelar, retire-as e retire também a caçarola do lume para que o azeite amorne. Enxugue o bacalhau com um pano e disponha-o com a pele para baixo no azeite (há quem defenda que é melhor pôr com a pele para cima, mas assim me ensinaram e assim tenho feito com bons resultados). Vá movendo a caçarola num movimento de vai-vem circular e, nunca deixe ferver o azeite, quando começar a fazer bolhinhas retire do lume e mantenha o movimento ,reponha no lume e retire as vezes que forem necessárias para evitar que ferva. Ao fim de 25 ou 30 minutos já deve ter uma maionese obtida através da emulsão do azeite com a gelatina libertada pela pele do bacalhau. Disponha o molho sob as postas de peixe ou regue-as com este e com os alhos que préviamente fritou.

O recipiente tem que ter tamanho suficiente que permita haver algum espaço entre as postas, para que estas se possam movimentar "batendo" deste modo a maionese. Se por acaso ao fim do tempo ainda não obteve a consistencia desejada, retire o bacalhau e com uma vara de arames dê uma batidela muito ligeira que rápidamente emulsionará o molho.Se não tem muita prática, aconselho o uso de uma caçarola que por ter os bordos mais altos impedirá que o molho salte para cima do fogão.

sábado, julho 15, 2006

SOBRAS DE CARNE


É um prato que usualmente faço para aproveitamento de sobras de carne - na verdade, gosto tanto disto que por vezes utilizo mais carne do que a necessária, para que me sobre e possa depois fazer assim: "à Brás"- .
Procedo como para o bacalhau com o mesmo nome: cebola em meia lua e alho picado refogados em azeite, junto a carne desfiada, borrifo levemente com Porto ou Madeira, junto batata palha e ovos mal batidos. Vou remexendo muito bem para que não pegue. Quando os ovos estiverem passados (bem passados porque hoje em dia não se pode brincar) salsa picada, azeitonas e, p'rá mesa!

Quando a comida queimar e ficar pegada no fundo do tacho, Ponha água no tacho, muito pouca, apenas a tapar essa zona. Ponha ao lume e, quando estiver bem quente vá raspando com a colher, normalmente meto lá dentro um esfregão de arame e com um alicate ou tenaz vou esfregando para descolar os restos de comida.

Faça isso e vai ver que o "queimado" se solta fácilmente. Se é mulher, e casada, o seu marido ficar-lhe-á muito agradecido.Eheheheh!








Por vazes faço empadão, com puré de batata ou com arroz. Este é de arroz
Refoguei cebola picada em azeite, juntei a carne desfiada, temperei e deixei refogar um pouco com a cebola.
Num tabuleiro, fiz uma cama com metade do arroz, deitei-lhe a carne, tapei-a com o resto do arroz e, em vez de barrar com gema de ovo, como é usual, fi-lo com maionese. Umas rodelitas de chouriço em cima e forno com ele.

Se preferir batata, só tem que substituir o arroz por puré.

sábado, julho 08, 2006

VAGENS DE FEIJÃO





De manhã ainda cedo, montei o meu cavalo de raça, um puro-sangue alazão que relinchou e escoiceou,trotando alegremente até passar pelo largo portão de madeira forrado com chapas de zinco, incitei o animal que arrancou num desenfreado galope, só interrompido pelos gritos da minha avó: ”CÓTELA SE HÁS-DE FCAR MAL! AH MOÇE MARAFADE, SE CAIS ALEJAS-TE COM A CANA!” CANA?!!!... Então, a minha avó não via que era um cavalo!? Um belo e luzidio corcel, nervoso e veloz como o vento!? Coitada... Estava a ficar velha… Achava eu! E lá íamos nós, eu cavalgando lá na frente, e a “velhota” atrás, a pé, até à horta que distava um par de quilómetros da aldeia. Aí chegados, deixava a minha fiel montada a pastar livremente, no restolho da suave colina junto ao “montinho” (casinhoto onde o meu avô recolhia os utensílios que usava no amanho da terra), Agora passados todos estes anos, recordo que nunca lhe deixava água! Talvez não me deixassem acercar da "nora",em redor da qual circulava de olhos vendados por um pano negro desbotado(um velho xaile da minha avó), a burrinha branca (esta sim, bem real) que chegava sempre com meu avô ainda "lusco-fusco", para trabalhar na rega "pela fresquinha" antes que os raios solares incidissem verticalmente e, à tarde regressava com uma enorme gorpelha carregada de figos sobre a albarda, que eram amassados com farelos e faziam as delicias do porquito que, com este "pitéu", engordava a olhos vistos.
Enquanto sachavam e regavam, as batatas, cebolas, feijão e todas as coisas boas que natureza nos proporciona nesta altura do ano, lambuzava-me com os melosos figos, empoleirado nos folhosos ramos das enormes, retorcidas e rastejantes figueiras, enquanto ía ouvindo: "Não comas os figues quentes! Ficas com soltura!" Nestes dias, o almoço não variava muito, comíamos o que estava ali à mão: feijão verde.O meu avô juntava uma lenhita, ateava o lume e, a minha avó cozinhava.



Deitava um fio de azeite, cebola picada e uns dentinhos de alho, enquanto estalavam, dentro da panelita, descascava cenouras que cortava em rodelas, picava tomates madurinhos e juntava ao refogado que (como dizia Eça) rescendia. Deitava água do poço, que nesse tempo ainda era pura e cristalina, sal, uma folhinha de louro, e depois de ferver, batatas cortadas em rodelas e pequenos bocados de feijão verde que cortava diagonalmente. Às vezes, quando quase cozido, partia-lhe para dentro ovos de galinha e deixava-os escalfar, outras vezes terminava com um ramo de hortelã, e despejava tudo numa malga forrada com fatias de pão de trigo, tudo da horta ,excepto o sal. Depois é que eram elas!...”Come Zéééé! Quando fores prá tua casa a tua mãe diz que passaste mal! Tás magreco!” enches a barriga de "figues" e depois o comer fica no prato!" Mas não era apenas essa a razão do fastio. É que...feijão verde não era coisa que me agradasse.Mas depois, ao sol-posto, escarranchado em cima da albarda, antevia o ovinho estrelado com batatinhas fritas. Eram os miminhos.

Avó! Se me estiver a ver, aí do Céu, quero agradecer-lhe por tudo,pedir que me perdoe as diabruras, dizer que tenho muitas saudades suas e que já gosto de feijão verde, e também daquela salada de tomate, maduro e vermelhinho, temperada com sal e azeite e que me fazia os olhos bonitos.


Posted by Picasa

domingo, julho 02, 2006

COELHO ORELHUDO




É partido em pedaços, e temperado com: alho cortado em rodelas, sal, pimenta, noz moscada, louro, um raminho de salsa, outro de esteva e, vinho tinto suficiente para cobrir toda a carne.
É conveniente marinar algum tempo para assimilar os sabores do tempero, retira os pedaços de carne e numa caçarola,(depois de escorridos) são alourados em azeite e banha de porco (a banha é opcional).
Quando está lourinho, junta, os alhos da marinada, cebola picada grosseiramente e, cenoura em rodelas grossas.
Depois de refogado, é-lhe adicionado o líquido da marinada e após a fervura durante algum tempo para que se evapore o alcool contido no vinho, é acrescentada água suficiente para cozer o "coelhiço"(é assim que lhe chama a minha ajudante Romena).
Se é coelho de aviário, ao fim de 20 minutos de cozedura, mete bocados de nabo e ervilhas.
Coze mais uns 10 minutos e mistura batatinhas miúdas, fritas e, é servido com crotões de pão frito. Se é coelho do campo(vulgarmente chamado: "caseiro") tem de cozer durante mais tempo.

O raminho de esteva é muito utilizado nesta região para lhe conferir um pouco de sabor a coelho bravo.

quarta-feira, junho 28, 2006

BIFE DE ATUM



É mais um dos pratos caracteristicos da região Algarvia, onde ainda existem ao longo da costa sul, vestigios de muitas construções de apoio às armações, usadas na pesca do atum. Estes, são normalmente peixes de grande porte, podendo ter 2 metros de comprimento e 300 kg de peso.

O bife à moda Algarvia é marinado com algumas horas de antecedência, em sal, pimenta, louro, alho em rodelas, vinagre e vinho branco.
Depois de frito em azeite, retira-se da frigideira e nesse mesmo azeite, refoga-se cebola em rodelas ou meia-lua, os alhos da marinada, e quando alourar ligeiramente, junta-se o líquido da marinada e os bifes préviamente fritos. Deixa-se apurar um pouco e serve-se com batatinhas cozidas.

Como gosto muito de tomate, altero a receita e misturo-o juntamente com tiras de pimento verde, à cebola depois de refogada.

Não deixe fritar demasiado os bifes,porque ficarão muito duros e secos.

sexta-feira, junho 23, 2006

APARAS DE PEPINO

PEPINO SEM SEMENTESSe como eu, não gosta de pepino, experimente cortar muito finamente a todo o comprimento, com um descascador, desses vulgares, que servem para cenouras, batatas, etc. ( aparece um na foto, meio camuflado com as cascas. ), tempere com sal, azeite e vinagre ou sumo de limão. O sabor é diferente, e tem um aspecto muito mais apetitoso.

segunda-feira, junho 19, 2006

SARDINHADAS



Durante todo o Verão, é incontestávelmente a rainha do peixe assado. É nesta época quente que naturalmente se encontra mais gorda,e não há peixe grelhado mais saboroso e de preço mais acessivel. Escolha-as pequenas e com escama, são as melhores, uma verdadeira delícia "meio-peixe", como são designadas pelos pescadores.
Recordo com muita saudade aquelas tabernas, junto à lota de Setúbal (hoje transformadas em restaurantes), onde entrávamos depois de"negociada"cá fora na rua, uma "teca" de fresquissimas e reluzentes sardinhas acabadas de descarregar, vivinhas, da traineira atracada ali em frente, na doca dos pescadores.
Num canto do estabelecimento, havia uma pilha de pequenos fogareiros de barro,de onde retirávamos os necessários (normalmente, um era o ideal para duas pessoas), ao lado, um enorme e mascarrado caixotão, atulhado de negro carvão vegetal. Com este guarnecíamos os assadores, retirávamos de outra pilha um banquinho baixo de madeira para cada um, pedíamos uma brasa a cada grupo de pessoas ( normalmente pescadores ) que já assavam peixe nos respectivos fogareiros, avivávamos o lume com abanicos de palma, e quando o fogo estava "de jeito", sentávamo-nos em redor dos braseiros, colocávamos as grelhas em cima, deixávamos esmorecer um pouco o lume, e sobre estas, já lavadas e salpicadas, as belas sardinhitas.
O peixe para grelhar nunca deve ser salgado com muita antecedência, salpica-se e vai para cima do lume.



Eram comidas à mão directamente em cima de uma fatia de pão, quem tirava da grelha uma sardinha assada, preenchia de imediato o lugar deixado vago por esta, com outra crua.
E ali estávamos nós, contemplando as (nesse tempo) ainda azuis e limpidas águas do Sado, comendo, lambendo os dedos e bebendo pela garrafa, do tintol Palmelão que o taberneiro enchia de uns enormes tonéis de madeira simétricamente alinhados atrás do balcão, e já bastante enegrecidos por muitos anos ao serviço do nobre e santificado sumo. Estas almoçaradas, provocavam em mim um estranho efeito: A peninsula de Tróia, mesmo ali na nossa frente, esfumava-se misteriosamente no difuso horizonte, e a poente, o castelo de S.Filipe esbatia-se no emaranhado verde da Arrábida, até se transformar num borrão quase imperceptivel, e apoderava-se de mim um suave, doce e lânguido torpor, que chegava por vezes a permitir que por breves momentos, Morfeu me enlaçasse nos seus voluptuosos e sensuais braços. Hoje recordo com uma doce nostalgia,esse tempo de"dolce fare niente"que só a despreocupação da juventude permitia usufruir em plena e total descontracção.

Posted by Picasa

Cozo batatas com a pele, grelho as sardinhas em "fogo lento" se o lume estiver muito vivo, a gordura do peixe ao cair sobre o carvão incandescente provoca labaredas que vão"engraxar"o peixe, deixando neste um mau sabor. Nesse tempos, quando por descuido, ou ignorancia, deixávamos atear as chamas, invariávelmente ouvíamos alto e bom som: "PARRECE QUE TAMOS NA FEIRRA POPULARR" era uma frase que nunca compreendi muito bem e que os mais velhos pronunciavam para gozar com a nossa azelhice ao lidar com os fogareiros (talvez na feira popular assassem assim as sardinhas!? não sei). Mas também nos ensinavam: "Tirrem as sarrdinhas do lume que já tão assadas! isso é só um calorrzinho p'rra tirrarr o sangue da espinha!" e é verdade! sardinhas assadas demais perdem toda a gordura.
Se assar sardinhas com o lume muito vivo, e se o grelhador for grande, junte as brasas para um lado do assador e ponha o peixe no outro, de modo que a gordura não caia directamente em cima do carvão. E tenha em atenção que o peixe não deve estar tempo demais na grelha, asse apenas o suficiente para que não tenha sangue na espinal medula.

Faço uma salada com alface, cebola e coentros picados, outra com tomate (às vezes assado) sem a pele e bem madurinho, cebola e oregãos, e ainda outra de pimentos assados, tudo temperado com sal grosso azeite e vinagre. Se meter os pimentos depois de assados, ainda quentes, num saco de plástico e o fechar bem durante alguns minutos, estes pelam-se muito mais fácilmente.
Coma as sardinhas sempre à mão (sabem muito melhor), no final lave as "manitas" com "sonasol magic" e vai ver que é mesmo mágico.
Um bom vinhito tintol, novo de preferência, com um pequeno golpe de frio, não vá na treta do tinto à temperatura ambiente, isso é bom se esta for mais ou menos de 15 graus! Mas... No verão!? com temperaturas a rondar os 30 graus!?, bebido com parcimónia, os tempos e as responsabilidades são outras, e para rematar, faça como aprendi com os marítimos Sadinos: A fatia de pão que serve de suporte às sardinhas enquanto comemos, e fica ensopada com a riquissima gordura deste peixe, é tostada em cima da grelha. Saboreie no final, e eu aposto que nunca comeu uma torrada assim.

quinta-feira, junho 15, 2006

FIZ UM ESCABECHE DO CARAÇAS

ESQUECI-ME DE DIZER QUE TAMBÉM PODE SER FEITO COM PEIXE GRELHADO
Posted by Picasa


Quando ainda não existiam frigoríficos, este, era um dos modos de manter os alimentos em condições comestíveis, durante alguns dias. Baseada na conservação através do vinagre, hoje já não temos essa necessidade, mas como este petisquinho é tão agradável,com os carapaus que ficaram da refeição anterior, fiz o seguinte:Em azeite, refoguei bastante cebola em meias-luas, (podem cortar em rodelas, mas em meias luas é mais simples e rápido de cortar). Alho laminado e cenoura ralada, sal, pimenta, louro, bastante vinagre e depois acamei os carapaus e"despejei"o molho por cima. Conservam-se no frigorífico durante vários dias. Estes permaneceram no frigorifico apenas um dia.(sou um guloso por isto.)

ESQUECI-ME DE DIZER QUE ISTO TAMBÉM PODE SER FEITO COM PEIXE GRELHADO.
Peço desculpa pelo lapso.

sábado, junho 10, 2006

LIVRO DE RECLAMAÇÕES

Posted by Picasa

CARAPAUZINHOS FRITOS



Quando compro carapauzinhos para fritar,é sempre em muito maior quantidade do que os que normalmente são necessários para uma refeição.Primeiro retiro as visceras e tempero com sal.
Faço sempre arroz,umas vezes de tomate,outras de coentros,outras ainda,de pimentos,hoje fiz de grelos que é um arroz clássico da nossa culinária,ideal para acompanhamento de peixe frito.
Refoguei cebola,salteei os grelos(depois de bem lavados e retirados os talos mais grossos e as folhas estragadas),juntei o arroz,água a ferver,sal,e um pouco de pimenta.Depois foi só fritar os carapauzinhos e pronto!toca a comer.Gosto muito,assim quentinhos,ou então frios,de um dia para o outro,com pão e uma cafézada de cafeteira,como fazia a minha avó materna(Alentejana),que tinha por hábito o café permanentemente junto do lume.Cada vez que aparecia uma visita(crianças incluídas) era certo e sabido,que havia canecas daquele perfumado e fumegante café para todos.

segunda-feira, junho 05, 2006

PUDIM...







É um pudim tradicional dos restaurantes de Lisboa de há uns anitos atrás.Não sei se hoje continua a existir,visto que,há muito deixei de frequentar a cidade.Era feito e servido numas pequenas formas de aluminio,levemente cónicas.Havia quem o comesse assim,dentro das forminhas,outros desenformavam para que ficasse com o caramelo por cima.E havia ainda,os comilões.Desenformavam o pudim e fazim a habilidade de lhe encostar a boca e sorvê-lo de um só fôlego.
Hoje,faço este mesmo pudim,com alguma frequência.O único nome que recordo é:"365".Não sei o motivo de tal nome,talvez por existir sempre durante os 365 dias do ano.
Actualmente faço-o num tabuleiro.
Fervo 1 litro de leite com a casca de um limão,bato 10 ovos,com350gr de açucar e um pouco de farinha maizena(+-uma colher de chá).Junto o leite,depois de arrefecer um pouquinho para não cozer os ovos,misturo bem,juntando um cálice de triple-seco(pode substituir por outra bebida de que goste mais, rhum,brandy,etc.
Unto o tabuleiro com caramelo liquido e despejo a mistura através de um passador de rede,muito levemente para que não remova a camada de caramelo do fundo do tabuleiro.
Meto no forno o mais horizontalmente possivel,em banho maria durante mais ou menos 35 minutos,dependendo do calor do forno.
Depois de pronto deixo arrefecer e corto da maneira que mais me agradar.
Pode também ser feito na panela de pressão,dentro de formas próprias que normalmente acompanham a panela aquando da sua compra.

quarta-feira, maio 31, 2006

CANJA DE CONDELIPAS,OU DE AMEIJOAS,OU DE...berbigões



Estes bivalves,são conhecidos por este nome apenas na região de Lagos.Na época do Marquês de Pombal,esteve durante algum tempo na cidade,o"conde de Lipe",Oficial Alemão que adorava conquilhas,gostava tanto que chegava a mandar os seus soldados para a meia-praia,fazer a apanha deste marisco,que comia desalmadamente.A partir daqui,na cidade de Lagos,ficaram as conquilhas a ser conhecidas pelo nome de:condelipas.

Na minha juventude,deslocava-me frequentemente com amigos,à praia da Fonte da Telha,com o propósito de apanhar conquilhas,nessa zona eram(e penso que ainda são),chamadas de:"cadelinhas"(desconheço a origem do nome).
E lá ía-mos nós,dar ao rabo,para a Fonte da Telha.O Zé Correia(algarvio dos 4 costados),invariávelmente exclamava:PARECE UMA CALÇADA!Na verdade sentiam-se debaixo dos nossos pés,sob a areia,como se de pedrinhas se tratasse.Passado pouco tempo tinhamos um balde cheio de enormes e luzidias cadelinhas que o Zé Correia, mais tarde,abria com presunto,chouriço e mais umas vitualhas de que já não me recordo.
Tempo depois,começaram a capturá-las com "arrastos"puxados por animais(cavalos e mulas),e mais tarde,até com tractores agricolas.Penso que acabaram com a raça das cadelinhas.Ou pelo menos já deve haver muito poucas.

Nós aqui no Algarve,fazemos uma sopa de comer e chorar por mais: Abrem-se as conquilhas ou amêijoas em água.Separam-se as cascas e reserva-se o marisco e a água.
Refoga levemente,cebola picada em azeite,lava um punhado de arroz e salteia no refogado com a cebola,Junta a água quente,resultante da abertura do marisco.Se for insuficiente acrescenta mais água aquecida,cuidado com o sal,não se descuide porque a água de abrir os bivalves já contém sal que estes libertaram ao abrir.Quando o arroz estiver cozido,junta o miolo dos bivalves, coentros picados,e vai rápidamente para a mesa que a sopa é para ser comida assim. Quentinha!

Originalmente era o arroz cozido e no final metiam-se os bivalves para que abrissem,mas como não gosto de cascas no arroz,abro-os primeiro.
É de uma simplicidade extraordinária esta canja,(marisco,cebola,azeite,arroz,água,coentros e sal)e deliciosa. Como estou em regime de contenção de despesas,usei berbigões.Saborosíssimos!

sábado, maio 27, 2006

OSSO BUCO


Para quem pensa que a cozinha Italiana se resume a pizzas e pasta,tem nesta iguaria,a prova de que está muito enganado.Osso buco que em Italiano significa:osso com buraco(é mais ou menos isso),e é uma rodela cortada na zona inferior da perna da vaca.É o chambão com o osso.Classificada como sendo de 2ª,tem um preço relativamente baixo e pessoalmente,é a peça de carne de vaca que mais gosto.Gelatinosa, suculenta e especialmente saborosa.
Embora de origem estrangeira,este prato era famoso num restaurante do Porto,não sei qual e nem sei se ainda existe.

Em Itália há várias formas de o confeccionar,variando de região para região.Aprendi a fazê-lo em Milão,e com algumas pequenas alterações vou transmitir-vos a receita.
Primeiro enfarinhe as rodelas de osso buco e aloure-as em azeite(os Italianos usam margarina)de ambos os lados,com muito cuidado para que o tutano não saia dos ossos,a melhor maneira de os voltar é com uma espátula introduzindo-a entre a carne e o fundo da caçarola.Com a espátula retire as rodelas de osso buco e reserve.
Na mesma gordura que ficou no tacho,refogue cebola,aipo e cenouras(tudo picado)junte tomate(também picado),deixe refogar muito bem até que o tomate amoleça,tempere com sal,pimenta e introduza a carne novamente.Regue com caldo de carne bem quente(um dia destes tenho de postar a receita do caldo de carne)pode usar caldo concentrado,desses que basta dissolver em água a ferver,um pouco de vinho branco e deixe até estar bem cozida(a carne,porque o osso fica sempre rijo.lol!)cerca de 1h30.Em Milão juntam filetes de anchova e alho picado deixando mais,cerca de 30minutos a estufar.Junto apenas os alhos,não gosto do paladar que as anchovas conferem.Rectifique temperos e sirva a carne regada com o molho e polvilhe com raspa de limão e salsa picada.
Gosto muito de acompanhar com tagliatelli,mas também fica bem com arroz,ou batatas fritas se preferir.

Muito cuidado para que a carne não se queime,vá sempre acrescentando água e só no final deixe apurar o molho.

sábado, maio 20, 2006

QUEIJINHOS FRESCOS

A pedido da menina Amélia














Lá estava o Vitorino...volteando o enorme cajado por cima da cabeça,assobiando ordens aos cães,que as cumpriam com obediente celeridade,ora correndo em volta das ovelhas juntando-as numa estridente mistura de latidos e balidos,ora perseguindo e trazendo de volta,alguma mais teimosa que insistia em procurar alguma figueira de folhas tenras e apetitosas.Por cima,um bando de negras andorinhas que evoluíam em graciosas e acrobáticas piruetas,rasando a lã dos animais com uma agilidade surpreendente,só possível em aves deste porte.Explicou-me o pastor,que os animais quando se movimentam no pasto,fazem levantar pequenos insectos(invisíveis para mim)de que as aves se alimentam em pleno voo.Olhando mais atentamente,reparei nos bruscos movimentos que estas efectuavam com a cabeça,para capturar os insectos.
Mesmo junto a nós, imensas cardeiras de cuja flor se extraem os estames(penso que é assim que se diz),que depois de secos servem para coalhar o leite afim de fazer queijo.Era isto que me interessava...os queijos.
Era quase"sol-posto",quando finalmente,depois de uma demorada caminhada entre reluzentes e floridas estevas,cheguei ao "monte"onde habitavam,o Vitorino e a mulher.Ela já tinha fervido o leite,produto da ordenha desse dia(é pra matar os micróbios!dizia-me.O gado tá vacinado,mas isto...nunca se sabe!).Só retiram o leite às ovelhas cujas crias já foram vendidas e,que sem filhotes que as mamem,têm de ser ordenhadas.
De véspera,numa tijela,tinha misturado flor de cardo com água.Agora,coou este líquido através de um pano limpo,espremendo este muito bem com o cardo no interior,afim de extrair totalmente o liquído aí contido,depois juntou-o com o leite já morno e mexeu muito bem com uma colher de pau.Passado algum tempo,(cerca de uma hora),espremeu a coalhada com as mãos,e com uma colher ía retirando o líquido que se formava à superfície,depois"esfarelou",também com as mãos,a coalhada,"é pró quejo ficar mai fino"dizia-me.Depois começou a encher os cinchos calcando a massa com a palma da mão.Após estarem bem cheios alinhou-os muito certinhos numa esteira de cana e depositou-a em cima de uma prateleira,num canto da enorme e fumarenta cozinha.Todos os dias voltará os queijinhos,para que sequem por igual e fiquem bem curadinhos.

Minha mãe,frequentemente faz queijos frescos de leite de vaca.Deu-me a receita,eu fiz e vou reproduzir aqui para vocês:
Comprei dois pacotes de leite gordo,do DIA.Muita atenção,porque tem que ser leite do dia,daquele especial e que tem um prazo de validade muito limitado.O que comprei era Vigor(passe a publicidade).Amornei o leite,se tiverem um termómetro controlem a temperatura e quando atingir os 35 ou 40 graus apaguem o lume.Nunca deve ferver,NUNCA!dissolvi uma pitada de COALHO que comprei na farmácia(pela foto onde se vê o coalho dentro de uma colher de café,podem avaliar a quantidade para os dois litros),num pouquinho de água fria e misturei com o leite,juntei sal e mexi muito bem.Cerca de 40 minutos mais tarde o leite estava coagulado.Passei por um pano bem lavado afim de libertar o queijo da maior parte do líquido(soro) e meti dentro das formas(que improvisei,cortando um pedaço de tubo plástico e uma embalagem de sal vazia)quando comprar queijos pode reaproveitar as forminhas.Quanto mais pressionar o queijo dentro dos moldes,mais duros e compactos estes ficarão.E pronto!não me estou a lembrar de mais nada,apenas vos digo que são deliciosos estes queijinhos.Se não sair bem da primeira vez,tente até que apanhe o jeito.

Na foto das ovelhas,a planta que se encontra em primeiro plano é um cardo,a parte "lilás"é a flor que contém um enzima que provoca a coagulação do leite.
Na primeira foto são visiveis pelo menos três andorinhas,duas recortadas contra o céu,e uma na moita da esquerda.